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Estreia brasileira, Twitter e Galvão

15/06/2010

por Bruna Lima 

O Brasil fez hoje sua estreia nos jogos da Copa do Mundo da África do Sul, mas a euforia da torcida com o time verde-amarelo já vinha desde a abertura do evento, na última sexta-feira (11). Cerca de uma hora antes do início do jogo em Johanesburgo (marcado para as 15h30, horário de Brasília) já era possível ver os bares superlotados e as lojas fechando suas portas. Em dia de Copa a sensação é de que o país literalmente para. O dia havia sido morno, com um empate entre Eslováquia e Nova Zelândia (1×1) e um decepcionante 0x0 entre Portugal e Costa do Marfim. A esperança era de que o Brasil, vencedor de cinco Copas do Mundo e (justificadamente) um dos favoritos para a vitória em 2010 estreasse com chave de ouro, numa saborosa goleada. 

No site de relacionamentos Twitter a torcida brasileira tem mostrado presença forte desde a festa de abertura do mundial. Sabe-se que o Brasil é o país com o segundo maior número de usuários conectados no portal, atrás apenas dos Estados Unidos. Prova disso é o fato de que a expressão “Cala a boca, Galvão” (uma crítica ao locutor da TV Globo Galvão Bueno e seu estilo, digamos, “loquaz” de narração das partidas) tornou-se o assunto mais comentado do Twitter e despertou interesse internacional, ganhando até um artigo no jornal espanhol El País. O vídeo abaixo é exemplo da onda virtual de humor/crítica ao locutor da TV Globo: nele Galvão “se empolga” com uma música da cantora Shakira, durante o show de abertura da Copa da África do Sul. 

Como já era esperado o Twitter foi palco dos mais diversos comentários sobre a partida: gente de todo lugar do mundo e várias classes sociais postava, via computador ou celular, suas impressões sobre o jogo de estreia do Brasil: o que ia fazer durante a partida, com quem estava etc. Brotaram os “bolões” e apostas para o resultado do jogo. Houve até quem fizesse a linha blasé, dizendo ignorar o evento e se dedicar a outras atividades. 

O meio-campista Elano, autor de um dos gols do Brasil na partida em Johanesburgo

O primeiro tempo morno do jogo, sem os aguardados gols e lances espetaculares , entediou o público e as queixas começaram a surgir. A expectativa era de um segundo tempo com ânimo renovado por parte da seleção brasileira e alguns resultados apareceram, ainda que tímidos. Maicon e Elano foram os responsáveis pelos dois gols que deram uma renovação no ritmo do Brasil: o time pareceu avançar mais e fazer investidas mais ousadas. O jornalista Alex Santos deu uma espiada no jogo e comentou em seu Twitter, com humor, a reação brasileira contra a Coreia do Norte: “a cada gol sofrido pela Coreia do Norte, o pai do goleiro perde um dedo”. 

Mas a surpresa veio com a reação do time asiático: a pouco mais de um minuto do fim da partida, quando todos pareciam resignados com o resultado, o defensor Ji Yun Naum abriu o placar da Coreia. Final do jogo: Brasil 2×1 Coreia do Norte. Os comentários pós-partida refletiram o clima de descontentamento dos torcedores e a expectativa por um futuro melhor: o próximo desafiante do Brasil será a seleção da Costa do Marfim numa partida em JohanesBurgo, no próximo domingo (20). Até lá tanto na Internet quanto na vida real a torcida fervorosa deve ser amenizada, como bem definiu Santos: “e agora voltamos a programação normal…”

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Bola na rede…ou seria na tela?

03/06/2010

por Bruna Lima

A Copa do Mundo sem dúvida é, mais do que um evento esportivo de importância internacional, um estímulo produtivo e interessante para a comercialização de vários tipos de mercadorias: desde alimentos e refrigerantes até automóveis. Um exemplo célebre desse tipo de fenômeno, na área de entretenimento e tecnologia, é a série de games FIFA Soccer, da produtora e distribuidora de jogos norte-americana Eletronic Arts (EA).  A Fédération Internationale de Football Association (FIFA) cedeu os direitos de uso da sua marca exclusivamente à EA em 1993 e desde então a empresa investe anualmente em jogos de futebol que levam o nome da Federação.

Arte de FIFA International Soccer, primeiro título da série da EA

O fato de carregar a marca FIFA em seus títulos já é motivo de prestígio para a série da EA, mas esse status nem sempre é garantia de sucesso entre o público. Douglas Fernandes, 26 anos, é exemplo de um fã de games que experimentou alguns títulos da série FIFA Soccer mas nem por isso virou seu admirador. Ele conta ter jogado FIFA International Soccer (1993), FIFA 98 e o recém-lançado FIFA 2010, mas diz gostar mesmo é da série Pro Evolution Soccer (também conhecida como Winning Eleven), da produtora japonesa Konami. “A vantagem de FIFA são as exclusividades e os times brasileiros. Nunca gostei dos ‘bonecos’ com cabide na camiseta e a animação dos jogadores é muito dura”  argumenta Douglas.

Qualidade gráfica e detalhismo são o forte da série FIFA Soccer

No caso contrário estão aqueles que jogaram vários títulos da série FIFA e se tornaram admiradores. Marlom Villa, 15 anos, diz que a série de games da EA é sua favorita quando o assunto é futebol. Marlom experimentou (e aprovou) quase todos os títulos lançados desde o início e opina que as “piores” edições foram as dos anos de 2002, 2004 e 2007. Ele descreve qual seria o diferencial da série FIFA em relação as demais do gênero:  “a jogabilidade e dificuldade superiores, os dribles com dificuldade exata pra cada jogador e no (FIFA) 2010 as animações são superiores aos seus concorrentes…”

É fato que nem só de um nome forte é feito um bom game sobre futebol. A série FIFA Soccer investe, a cada edição, em aprimoramento gráfico e tecnológico, tentando se adaptar ao gosto e às necessidades de um público cada vez mais avançado e abrangente. Seja no console, no computador ou no videogame portátil, FIFA Soccer tenta enfrentar a concorrência e justificar o nome que carrega. Foram dezenas de jogos lançados para praticamente todos os consoles do mercado. Goste-se ou não, a verdade é que FIFA Soccer conseguiu estabelecer seu espaço no mercado de games e por lá ainda deve se manter em posição de respeito durante muitas edições. Abaixo você confere um trailer do mais recente título da série, FIFA 2010:

A saga de Vitorino

03/05/2010

Palco de grandes apresentações futebolísticas, o VGD se tornou um elefante branco,  cujos rumos ainda não foram claramente definidos pela atual administração

Por Leonardo Felix

Sito à esquina da avenida Jorge Casoni com a rua Acre, o estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) era um módico campo de futebol usado nos anos 40 para jogos de campeonatos amadores de futebol. Após a edificação dos atributos básicos á disputa de partidas oficiais, o local foi promovido pela administração municipal à condição de estádio em 1956.

Em 24 de junho daquele ano, a partida inauguradora, entre Londrina Esporte Clube e Sport Club Corinthians Paulista, registrou o recorde de público do local. 18 mil par de olhos acompanharam o empate de 1 x 1 entre os anfitriões alvicelestes e os visitantes paulistanos.

Até os anos 70, o VGD foi o grande palco das batalhas do Tubarão, quando, em 1976, o – à época – opíparo Jacy Scaff (estádio do Café) roubou no coração dos londrinenses o posto de principal arena para realização de partidas profissionais do mais popular esporte brasileiro.

Ainda assim, o velho Vitorino mantinha sua estreita relação com o LEC. Em meados dos anos 90, a prefeitura cedeu, em regime de comodato, as instalações do estádio ao clube, em contrato de 10 anos, renovado por mais 10 em 1999.

Nos últimos tempos, relegado foi ao abandono. Sem manutenções das mais prementes, com graves falhas estruturais e vetos da Federação Paranaense de Futebol, Corpo de Bombeiros e qualquer entidade de razoável senso, o VGD não pôde abrigar mais eventos de qualquer estirpe.

Agora, com a decadência deblaterada do Londrina Esporte Clube, o Vitorino Gonçalves Dias forma, ao lado do estádio do Café, o duo de elefantes brancos do município. Desde sua entrada na função de prefeito, Barbosa Neto tenta dar um rumo ao antigo campo e, nesse imbróglio, várias cogitações foram anunciadas.

Em dezembro do ano último, o presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Paulo Roberto de Oliveira, informou a intenção de vender o terreno de 22 mil metros quadrados. Pelos cálculos da fundação, seriam arrecadados de R$ 4 milhões a R$ 6 milhões com a venda. Os recursos seriam aproveitados para uma ampla reforma do Jacy Scaff.

Este ano, a proposta radical (criticada por muitos, elogiada por outros) foi substituída por alternativa mais amena: privatização da administração do estádio. Assim, o VGD permaneceria público e vivo, porém os gestores teriam carta branca a realizarem nele o que achassem melhor, arcando, elementarmente, com as devidas despesas do prédio.

Oliveira salientou, contudo, que tal hipótese não descarta totalmente a possibilidade de venda. De qualquer forma, fica nítida a filosofia da atual administração: é desperdício e dispêndio ter gastos com dois estádios mambembes, sem condições decentes de funcionamento, e que ainda por cima não abrigam evento atrativo nenhum, porque não os há.

Se é correto (ou não) o pensamento de Barbosa Neto, só o tempo dirá. O facto é que, independente do sacrifício ou salvamento da velha arena que tantos momentos prazerosos propiciou aos munícipes da Filha de Londres, qualquer saída não será mais melancólica do que a triste realidade que se nos apresenta e que acomete e deteriora cada dia mais o nobre Vitorino Gonçalves Dias.

A ladeira do Tubarão

17/04/2010

Mesmo com a cara de mau, o Tubarão não assusta nem os púberes do Clube Atlético Cambé

A cara de mau do Tubarão, atualmente, sequer assusta os púberes do Clube Atlético Cambé

Por Leonardo Felix

Mostra-se cada vez mais perene a triste saga do Londrina Esporte Clube (LEC). Capaz de levar à neurastenia até o mais pacato e otimista torcedor, a recente sucessão de reveses parece ser inspirada em algum artigo de Arthur Schopenhauer. Nesta semana, novo capítulo foi destrinchado e mais uma vez a mão do carrasco alimentou a agonia de um frágil Tubarão e de seus entusiastas.

A equipa londrinense conseguiu ser derrotada pelo Clube Atlético Cambé (CAC), time da terceira divisão do campeonato paranaense. Detalhe: o CAC entrou em campo sem a melhor formação, apenas com os “pratas da casa” – jovens entre 17 e 20 anos formados pelo clube. O jogo-treino, realizado no Centro de Treinamento do Nichika, terminou no econômico placar de um tento a zero em prol do simpático clube do município adjacente.

O episódio é apenas mais uma camada de glacê deste amargo bolo, que há tempos está torrado no forno. Só nos últimos 12 meses, o LEC foi rebaixado à divisão de acesso do torneio estadual, eliminado da Série D do campeonato brasileiro, teve seu presidente afastado por denúncias de corrupção, opera atualmente por intervenção da Justiça do Trabalho – único clube brasileiro a alcançar tal proeza -, está com a administração nas mãos de um obscuro grupo paulista (autorizado pela justiça a gerir o time), viu os dois estádios citadinos (Jacy Scaff, vulgo Do Café, e Victorino Gonçalves Dias, o VGD) serem interditados pela Federação Paranaense de Futebol, por não terem condições de abrigar partidas profissionais, teve com isso de promover a partida de volta da Copa do Brasil, contra o Uberaba, de Minas Gerais, na cidade de Paranavaí e ainda viu o time mineiro deitar, rolar, abanar o rabo, fingir de morto, dar a pata e ficar com o osso da vaga. Sim, é de acabar com o fôlego e o estoque de vírgulas.

A derrota para os púberes cambeenses espantou o supervisor do Tubarão, Edenilson Franco, que soltou: “achávamos que precisaríamos de seis reforços, mas acho que teremos que trazer 11”. E assim a saga segue, segue a saga, com promessas de muito sofrimento durante a série B do paranaense. No arrebol, apenas a turva neblina opalescente que esconde qualquer perspectiva de progresso. O Tubarão continua engessado, preso a uma cadeira de rodas, descendo descontroladamente pela íngreme ladeira, em meio a cactos espinhosos, sem saber até onde vai esse doloroso declive.

CBF ameaça donos de perfis falsos de Dunga no twitter

23/03/2010

Por Leonardo Felix

Como a “nova onda do momento”, o twitter (que quando não usado como ferramenta laboral ou de marketing, é um local para inserções de elucubrações vazias e blas blas blas inúteis, diga-se) não poderia deixar de ter os famosos perfis falsos, os vulgos “fakes”. Evidentemente, personalidades conhecidas pelas diversas mídias são as principais vítimas desses perfis, e no mundo do esporte não poderia ser diferente.

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou hoje que vai tomar “medidas legais cabíveis” contra dois perfis falsos existentes no microblog, que se fazem passar como pertencentes ao técnico da seleção brasileira de futebol, Carlos Caetano Bledorn Verri, popularmente conhecido como “Dunga”. O comunicado oficial na íntegra está neste link.

As duas contas em questão podem ser acessadas por aqui e aqui.

PS: Por falar em twitter e “fakes”, recomendo a impagável criação da conta “twitteriana” @oclebermachado. Quem já teve o prazer de se deleitar com a sabedoria do locutor  global logo se identificará com as profundas teorias machadianas (do Cléber, não do De Assis) contidas em cada novo post. Não à toa, o criador do falso perfil intitula o “muso” inspirador do perfil como “O pensador do Século”.