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Uma pausa nas vuvuzelas

30/06/2010

por Bruna Lima

Até estranhei ao saber ontem, pela TV, que os próximos jogos da Copa do Mundo na África do Sul serão só na sexta-feira (02). Nada mais natural: o campeonato está numa fase decisiva de eliminatórias e a maioria das seleções já voltaram para casa. Mas confesso que já estava acostumada a acompanhar a maratona de jogos e resultados. Só não me acostumei ainda a um pequeno (e muito barulhento) detalhe: as malditas vuvuzelas.

A vuvuzela é uma espécie de corneta simples feita de plástico tradicionalmente usada pelos sul-africanos. O instrumento teria sido criado em 1988 pelo nativo africano Freddie Maake. De lá pra cá a invenção de Maake foi copiada por vários fabricantes como a Masincedane Sport e se transformou em acessório das grandes torcidas da África do Sul. Mas foi com a aproximação da Copa de 2010 que a vuvuzela tomou proporções mundiais. É possível adquirir a corneta – cujo som lembraria o barulho de um elefante – por um preço relativamente barato, tanto em lojas de acessórios quanto nos camelôs.

Alguns estádios chegaram a proibir a vuvuzela nas partidas da Copa

Nas transmissões de TV o som das vuvuzelas a princípio lembra o zumbido de um bando de moscas, mas não é difícil se acostumar com o incômodo. Já no “contato direto” a história é um pouco diferente. A ideia divertida pode virar um verdadeiro tormento se não for usada com moderação. O barulho constante ou muito alto da corneta pode causar problemas auditivos graves e até permanentes nas pessoas e nos animais, cuja audição é mais sensível que a humana, podendo deixá-los mais agressivos. O instrumento também facilita a transmissão de germes e vírus se utilizado por várias pessoas, passando de boca em boca.

Mantenha a vuvuzela longe do ouvido alheio!

A polêmica da vuvuzela fez com que a FIFA até cogitasse a proibição da corneta nos estádios da Copa do Mundo pois ela incomodaria juízes e jogadores, por exemplo. Mas a vuvuzela permanece reinando durante as partidas e ditando o ritmo da animação dos torcedores. Pra quem quer se livrar (ou pelo menos aliviar) o zumbido dos instrumentos, que estão em praticamente todo lugar, o remédio é se afastar das torcidas e usar os protetores auriculares, que reduzem o barulho. Já para aqueles que gostam de dar suas cornetadas por aí fica a dica do bom senso: nem todo mundo é obrigado a apreciar o som das vuvuzelas e ela é o tipo de instrumento que só deve ser utilizado em ocasiões específicas, no caso dos jogos de futebol.

Usando a vuvuzela com moderação é possível que todos se divirtam durante a Copa sem maiores prejuízos. Para quem prefere o silêncio e a tranquilidade mesmo em tempos de Copa do Mundo (meu caso) agora é a hora de aproveitar: teremos dois dias de paz e calmaria até que os torcedores e suas vuvuzelas reapareçam.

A saga de Vitorino

03/05/2010

Palco de grandes apresentações futebolísticas, o VGD se tornou um elefante branco,  cujos rumos ainda não foram claramente definidos pela atual administração

Por Leonardo Felix

Sito à esquina da avenida Jorge Casoni com a rua Acre, o estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) era um módico campo de futebol usado nos anos 40 para jogos de campeonatos amadores de futebol. Após a edificação dos atributos básicos á disputa de partidas oficiais, o local foi promovido pela administração municipal à condição de estádio em 1956.

Em 24 de junho daquele ano, a partida inauguradora, entre Londrina Esporte Clube e Sport Club Corinthians Paulista, registrou o recorde de público do local. 18 mil par de olhos acompanharam o empate de 1 x 1 entre os anfitriões alvicelestes e os visitantes paulistanos.

Até os anos 70, o VGD foi o grande palco das batalhas do Tubarão, quando, em 1976, o – à época – opíparo Jacy Scaff (estádio do Café) roubou no coração dos londrinenses o posto de principal arena para realização de partidas profissionais do mais popular esporte brasileiro.

Ainda assim, o velho Vitorino mantinha sua estreita relação com o LEC. Em meados dos anos 90, a prefeitura cedeu, em regime de comodato, as instalações do estádio ao clube, em contrato de 10 anos, renovado por mais 10 em 1999.

Nos últimos tempos, relegado foi ao abandono. Sem manutenções das mais prementes, com graves falhas estruturais e vetos da Federação Paranaense de Futebol, Corpo de Bombeiros e qualquer entidade de razoável senso, o VGD não pôde abrigar mais eventos de qualquer estirpe.

Agora, com a decadência deblaterada do Londrina Esporte Clube, o Vitorino Gonçalves Dias forma, ao lado do estádio do Café, o duo de elefantes brancos do município. Desde sua entrada na função de prefeito, Barbosa Neto tenta dar um rumo ao antigo campo e, nesse imbróglio, várias cogitações foram anunciadas.

Em dezembro do ano último, o presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), Paulo Roberto de Oliveira, informou a intenção de vender o terreno de 22 mil metros quadrados. Pelos cálculos da fundação, seriam arrecadados de R$ 4 milhões a R$ 6 milhões com a venda. Os recursos seriam aproveitados para uma ampla reforma do Jacy Scaff.

Este ano, a proposta radical (criticada por muitos, elogiada por outros) foi substituída por alternativa mais amena: privatização da administração do estádio. Assim, o VGD permaneceria público e vivo, porém os gestores teriam carta branca a realizarem nele o que achassem melhor, arcando, elementarmente, com as devidas despesas do prédio.

Oliveira salientou, contudo, que tal hipótese não descarta totalmente a possibilidade de venda. De qualquer forma, fica nítida a filosofia da atual administração: é desperdício e dispêndio ter gastos com dois estádios mambembes, sem condições decentes de funcionamento, e que ainda por cima não abrigam evento atrativo nenhum, porque não os há.

Se é correto (ou não) o pensamento de Barbosa Neto, só o tempo dirá. O facto é que, independente do sacrifício ou salvamento da velha arena que tantos momentos prazerosos propiciou aos munícipes da Filha de Londres, qualquer saída não será mais melancólica do que a triste realidade que se nos apresenta e que acomete e deteriora cada dia mais o nobre Vitorino Gonçalves Dias.