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Argentina inventa briga de brasileiros

24/06/2010

por Lígia Zampar

¿Qué te pasha, Brasil?

Está na capa da edição virtual do jornal “Olé”, o mais famoso diário de esportes da Argentina: “O que acontece com você, Brasil?”.

Segundo o diário, também conhecido por sua natureza irreverente, não bastasse mais uma ‘turbulenta’ entrevista coletiva do técnico Dunga, jogadores da seleção foram flagrados brigando durante o treino desta quinta-feira, na cidade de Durban. “Uma câmera registrou um momento raro entre o goleiro Julio César e o zagueiro Luisão, até que apareceu Robinho para separá-los”, diz.

A “briga”, porém, não passou de uma brincadeira do grupo, algo que o próprio “Olé” em algum momento chega a ponderar. Porém, cheio de reticências.

Não por acaso, em vez da conhecida expressão “¿Qué te pasa?”, o diário preferiu fazer uma brincadeira com ela, como se estivesse falando de maneira infantil.

A versão argentina AQUI!

A rota do Cabo

07/06/2010

Por Leonardo Felix

O caminho para o título mundial deste ano será o mesmo das últimas três copas; vários outros métodos foram adotados ao longo das edições

O formato da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, é adotado pela FIFA desde o mundial de 1998, na França. 32 seleções iniciam o torneio, divididas em oito grupos com quatro times. Cada país enfrenta os três adversários em partida única, donde se classificam as duas equipes com melhor campanha para compor as fases de mata-mata. Depois, confrontos diretos pelas oitavas-de-final, que definem os ocupantes das vagas às quartas, semifinais e, posterirmente, final e disputa de terceiro lugar.

O método nem sempre fora assim. Na estreia do evento, em 1930, no Uruguai, o número primo 13 representou o total de selecionados participantes. Foram montados quatro grupos, um com quatro times e os demais com três. Após o embate de todos contra todos, dentro dos grupos, em peleja singular, o mais bem posicionado de cada agrupamento avançava para as semifinais e, depois, final. Não houve partida valendo a terceira posição.

Nas edições seguintes, em 34 e 38, 16 seleções foram classificadas e o certame consistiu em rodadas com jogos únicos de oitavas, quartas, semifinais e finais. Em 1934, pela primeira vez houve a disputa do terceiro lugar.

Em 1950, de 16 seleções previstas, apenas 13 participaram do mundial

A primeira copa sediada pelo Brasil, em 1950, tinha a previsão para participação de 16 times, que formariam quatro grupos de quatro. Porém, várias desistências, algumas bizarras (a Índia foi barrada da competição porque não conseguiu autorização para que seus representantes jogassem descalços), outras por desacordos (a França, chamada ao lugar da Índia, achou a distância entre as cidades-sedes inviável para participar), diminuíram o número para 13. Com isso, dois grupos ficaram desfalcados, sendo um deles, o 4, apenas com duas equipes, Uruguai e Bolívia. A Celeste aplicou um 8 x 0 nos bolivianos e avançou rumo ao bicampeonato. A novidade foi a mudança da fase final para o sistema de pontos corridos. Os quatro ganhadores de cada grupo jogaram entre si e o dono da melhor campanha nas três rodadas foi galardoado com o título (nem é preciso lembrar do Maracanaço).

De 54 a 70, o processo foi simplificado: 16 selecionados em quatro grupos, com vaga para os dois melhores de cada, com o já manjado chaveamento de mata-matas na segunda fase, a partir das quartas-de-finais. Em 74 e 78, apesar do mesmo montante de participantes, a fase final foi modificada: os oito classificados formavam dois novos grupos, todos contra todos (dentro do agrupamento) em turno único. O melhor de cada lado seguia à final. Os dois segundos colocados se enfrentavam em disputa pelo fechamento do pódio.

A partir de 1982, o total de participantes foi aumentado para 24. Naquela edição, quatro seleções formavam cada um dos seis grupos. Os dois melhores ganhavam passaporte para a segunda fase, que segregava os 12 sobreviventes em quatro novos grupos com três times. Após o confronto direto entre todos os integrantes do grupo, o mais bem colocado avançava para formar as semifinais. Quatro anos depois, no México, o número de participantes foi mantido, com alterações no regulamento: além dos dois vencedores de cada um dos seis grupos se classificarem, os quatro melhores terceiros colocados também garantiam vaga, totalizando 16 seleções na segunda fase, que foram divididas em chaves de oitavas-de-final. O processo foi mantido nas copas de 1990 e 1994.

Como se pode constatar, várias rotas já foram traçadas para se atingir a glória da conquista da Copa do Mundo de futebol. Resta saber qual seleção conseguirá, na edição deste ano, na África do Sul, trilhar com sucesso o caminho de Bartolomeu Dias no século XV para sobreviver às tormentas e chegar, enfim, ao Cabo da Boa Esperança.

Ao final da viagem, só um time chegará ao Cabo da Boa Esperança