Pintou o campeão

Oscar

A história do Japão em Copas do Mundo de futebol ainda é muito curta e a primeira participação da seleção aconteceu na França, em 1998. Comandado por Takeshi Okada, o time caiu no grupo H, juntamente de Argentina e de outros dois estreantes – Jamaica e Croácia. Derrotas nos dois primeiros jogos (ambas por 1 a 0), contra sul-americanos (neste mesmo dia 14 de julho) e europeus, respectivamente, acabaram com as chances de classificação e o próximo jogo serviria apenas para cumprir tabela, apesar disso, a vontade de conseguir a primeira vitória era grande e os jogadores entraram decididos a lutar pelos três pontos. O jogo foi vencido por 2 a 1 pelos Reggae Boys, mas pelo menos os japoneses conseguiram marcar seu primeiro gol em Copas, com Nakanishi. “Esperava no mínimo uma vitória, contra a Jamaica, mas a participação serviu para dar experiência para a próxima edição”, recorda o comerciante Luiz Nishizaki.

Escolhido para sediar o torneio juntamente com a Coréia do Sul, o Japão, como é de praxe com as seleções da casa, foi cabeça de chave no sorteio dos grupos e caiu junto de Russia, Tunisia e Bélgica. Os magníficos estádios, estética e tecnologicamente impecáveis, impressionaram toda a comunidade do futebol e receberam um grande número de torcedores apaixonados pelo esporte. A seleção agora seria protagonista e carregava a responsabilidade da classificação para a fase seguinte (nunca o país sede havia sido eliminado na primeira fase). Após empate de quatro gols contra a Bélgica, na estreia, a vitória só veio no segundo jogo, contra a Rússia. Precisando de apenas um empate para avançara às oitavas-de-final, o Japão venceu os tunisianos, por 2 a 0 (dia 14 de junho), e fechou a sua participação na primeira fase em grande estilo, em primeiro lugar no grupo, com sete pontos. O adversário agora seria a Turquia, segunda colocada, do grupo C, atrás do Brasil. Mas o sonho de chegar mais longe durou pouco e o gol de Umit Davala, aos 11 do primeiro tempo, foi o único de um jogo morno e sem grandes emoções. “Esperava muito daquela partida. Me lembro que reuni todos os meus familiares em casa e torcemos pela vitória. Pelo menos ficamos felizes de o Japão ter organizado um torneio tão bonito”, lembra Carlos Narazawa, agricultor.

A Copa de 2006 voltava à Europa e o Japão, agora retornava ao seu posto de coadjuvante. Com Zico como treinador a seleção buscava mais técnica e beleza em seu futebol e as chances eram promissoras, em um grupo F que tinha o Brasil, de Ronaldinho e companhia, como favorito, Austrália e Croácia. A segunda vaga era o objetivo, e a velocidade e maior experiência eram as apostas contra europeus e australianos. A derrota para os Socceroos e o empate contra os croatas obrigaram o Japão a buscar a vitória em seu último jogo, justamente contra a seleção canarinho. Apesar de começar ganhando, o time japonês cedeu quatro gols na sequência, acabando com sua chances de avançar.

Em 2010, novamente sob o comando de Okada, os japoneses enfrentam um grupo complicado, com Holanda, Dinamarca e Camarões. O técnico já declarou que o objetivo desta vez é alcançar as semifinais. Uma das grandes deficiências da seleção japonesa sempre foi o ataque, e neste ano a confiança no setor parece aumentar, devido à convocação de dianteiros que atuam no futebol europeu. A preparação para a Copa do Mundo, entretanto, não foi muito animadora, em termos de resultados. Nos últimos cinco amistosos que o time disputou, perdeu quatro – Sérvia, Coréia do Sul, Inglaterra e Costa do Marfim – e empatou o último, contra o Zimbábue. “Desta vez estou confiante na chegada às quartas-de-final. O time é mais alto e forte, disputará de igaual para igual contra as seleções européias, que se baseiam muito no jogo físico”, reforça Mario Matsuzaka.

Hoje, pela primeira vez, o Japão estreou com vitória na Copa. Em jogo truncado, a seleção conseguiu bater Camarões pela contagem mínima e agora sonha seriamente com a classificação para a fase seguinte. Ambas as equipes priorizaram o jogo pelas laterais do campo, o que está sendo a tônica de praticamente todos os jogos, tornando o embate monótono e desagradável ao espectador. Nem mesmo o atacante da Internazionale, Samuel Eto’o, conseguiu salvar os africanos. A carência de meio-campistas habilidosos, que abasteçam atacantes com boas assistência, ficou clara ao longo dos 90 minutos e o gol japonês saiu somente depois de jogada aérea, após Honda mandar para as redes aproveitando a falha camaronesa. Pela qualidade dos jogos, até agora, não parece assim tão distante o sonho japonês de ficar entre os quatro melhores do mundo.

Japoneses fizeram sushi de Camarões

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