Rivais pelo destino

Argentina e Nigéria caem pela terceira vez em um mesmo grupo da Copa do Mundo. Seleções protagonizaram também duas finais olímpicas

Por Leonardo Felix

Apesar de não pertencerem ao mesmo continente e não terem nenhum expressivo entrelaço histórico, Argentina e Nigéria, que se enfrentaram hoje no estádio Ellis Park, em Joanesburgo, com vitória latina por 1 x 0, gol irregular de Heinze, já podem ser considerados grandes rivais no futebol.

Se é mera coincidência, conspiração do destino ou algum trabalho de pai-de-santo, não se pode afirmar. O fato é que, das quatro participações nigerianas em Copas do Mundo, em três a equipe africana cruzou com os Hermanos. Além disso, as duas seleções protagonizaram duas finais olímpicas de futebol: a de 1996, em Atlanta, e a de 2008, em Pequim.

Em copas, o retrospecto é todo favorável a nossos vizinhos. Três vitórias em três embates. Em 1994, nos EUA, quando a Nigéria se desvirginou no maior torneio do futebol mundial (e de qualquer esporte), ambos os times caíram no grupo D. O selecionado verde e branco surpreendeu o mundo ao fazer 3 x 0 na estreia contra a forte Bulgária (que seria semifinalista daquela edição), enquanto o time sulamericano enfiou 4 x 0 na Grécia.

Na segunda rodada, veio o confronto entre as duas nações. Samsom Siasa pregou uma peripécia nos argentinos, marcando 1 x 0 logo aos oito minutos de jogo. O veterano Caniggia tratou de colocar as coisas no lugar e fez valer o favoritismo dos cabeças-de-chave, marcando aos 21 e 28 minutos e decretando o placar de 2 x 1 a favor dos argentinos.

(Detalhe interessante foi que, ao final das três rodadas da primeira fase, Argentina, Nigéria e Bulgária ficaram empatadas com seis pontos, duas vitórias, uma derrota e seis gols marcados cada. Os africanos levaram vantagem por terem sofrido um gol a menos, terminando na liderança. Mesmo com números idênticos aos dos bicampeões mundiais, os búlgaros ficaram em segundo, porque venceram os latinos no confronto direto. A Argentina acabou com o terceiro lugar, mas ainda assim se classificou para as oitavas-de-final, onde seria eliminada pela Romênia).

O sorteio para a Copa do Japão e Coreia do SUl, de 2002, mais uma vez pôs os dois rivais no mesmo chaveamento, grupo F, ao lado de Suécia e Inglaterra, no que foi considerado à época o “grupo da morte”. Desta vez, fariam a peleja inicial, assim como hoje. Mais uma vez, os Hermanos levaram a melhor, vencendo por 1 x 0, tento anotado por Batistuta. De nada adiantou, pois tanto Argentina quanto Nigéria empacaram na primeira fase.

Pelas Olimpíadas, a disputa é mais equilibrada. Em Atlanta, nos Estados Unidos, depois de eliminar o Brasil de forma histórica (perdia por 3 x 1, empatou, levou o jogo à prorrogação e fez o Gol de Ouro, fechando em 4 x 3), a Nigéria foi para a final como zebra diante da Argentina. E com futebol ofensivo e alegre, venceu por 3 x 2 e ficou com a medalha de ouro.

Em 2008, durante os Jogos de Pequim, a revanche: em nova final envolvendo os dois países, foi a vez dos usuários da camisa azul e branca comemorarem, pois a magra vitória de 1 x 0 foi suficiente para levar ao peito do selecionado argentino a venera dourada.

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