Os compadres

Por Auber Silva

Eles são símbolos do futebol de seus países. Para quem acompanha o esporte bretão, esses dois jogadores podem ser considerados uma verdadeira antítese, o exemplo magno da democracia futebolística, responsável esta por unir no mesmo espaço jogadores com talentos opostos. Mas é inegável o espírito vencedor destes dois ex-atletas: ambos conseguiram levar a taça para seus compatriotas e ainda tiveram o privilégio de erguê-la com o gesto imortalizado pelo brasileiro Bellini. As semelhanças e peculiaridades não param por aí: eles estão na Copa do Mundo da África do Sul no comando dos selecionados nacionais que os consagraram.

Se você não sabe quem eles são, provavelmente o seu interesse pela competição esportiva mais importante do planeta seja mais baseado em outros departamentos que não o jogo em si. Todo caso, Carlos Caetano Bledorn Verri e Diego Armando Maradona são os nossos personagens. Mas o que os torna tão especiais?

Voltemos um pouco no tempo. Em 1994 Dunga era o capitão da seleção brasileira campeã mundial nos Estados Unidos. O seu período de atuação com a amarelinha foi batizado de ”Era Dunga”, pela crescente importância dada ao jogo pragmático e coletivo, balizado pelo espírito de batalha e que muitas vezes pecava no quesito qualidade técnica. Para o bem ou para o mal, Dunga está de volta, agora no comando técnico da Canarinho, e muitos especialistas consideram que o time por ele montado retomará aquelas características que fizeram, no final das contas, Galvão Bueno esgoelar-se e um membro da comissão técnica protagonizar momentos de extrema destreza circense.

Do outro lado, temos Maradona. El Pibe é avaliado pela maioria como o segundo maior jogador de futebol de todos os tempos, atrás do Rei Pelé. De fato, suas conquistas com o Boca Juniors, Nápoli e seleção argentina o credenciam. Em 1986 o selecionado rioplatense sagrou-se campeão mundial pela segunda vez e quem carregou o piano para os hermanos foi ele, Dieguito. Como Dunga, ele era o capitão da equipe. Diferente de Dunga, sua técnica apurada foi fundamental para a conquista do caneco. Retornando às vésperas da bola rolar na terra de Mandela, Maradona indica que a Argentina pretendida por ele será um time ofensivo, que tentará recriar em Messi o El Pibe que encantou o México.

Mas, enfim, o que aproxima esses dois personagens é a possibilidade de um deles ingressar no seletíssimo rol de campeões mundiais como jogador e técnico. Neste clube há apenas dois membros atualmente: O Kaiser Beckenbauer ( como atleta em 1974 e como treinador em 1990) e o incansável Velho Lobo Zagallo (jogando em 1958 e 1962 e comandando no Tri de 1970).

As cartas estão na mesa, e os cruzamentos permitem uma inédita e deliciosa decisão entre Brasil e Argentina, Dunga e Maradona. Será que algum dos dois conseguirá a marca histórica?

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