Extensão verde-amarela

Renan Teixeira

A Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, começa na próxima sexta-feira (11). A seleção brasileira, como sempre, chega ao Mundial sendo apontada como uma das grandes favoritas ao título. Os 23 jogadores convocados pelo técnico Dunga desembarcam no torneio com moral, mesmo com a constante perseguição da imprensa esportiva, e têm a oportunidade de entrar para a história caso conquistem o hexacampeonato com o Brasil.

Atacante brasileiro Liedson tem a missão de ser o goleador lusitano

Além dos 23 que vestem a tão almejada amarelinha, outros brasileiros também vão ter a chance de fincar o pé na história e sagrarem-se campeões do mundo na África. Seis jogadores brasileiros naturalizados disputam a Copa defendendo outras seleções (conheça um pouco mais dos jogadores). Três deles enfrentam o Brasil logo na primeira fase do torneio por uma das melhores seleções do mundo, a de Portugal. Todos eles titulares da equipe lusitana. O zagueiro Pepe, 27, do Real Madrid, ainda se recupera de uma lesão, mas está confirmado na competição pelo técnico Carlos Queiroz. Deco, 33, meio-campista do Chelsea, vai ao seu segundo mundial consecutivo como uma das estrelas da seleção portuguesa. Completa o trio luso-brasileiro o atacante Liedson, 32, jogador recém-naturalizado que é a grande esperança de gols do time no mundial.

Por outra grande seleção, a da Alemanha, joga o brasileiro naturalizado alemão Cacau, de 29 anos. Ele é pouquíssimo conhecido pela grande maioria dos brasileiros, já que praticamente não atuou aqui. Negro e naturalizado alemão, ele venceu a concorrência para uma das posições mais disputadas do time e quebrou a barreira do racismo, problema social que ainda faz parte do cotidiano do país e que sempre permeou o meio esportivo. Há mais de dez anos na Alemanha, o atacante do Stuttgart convenceu o técnico Joachim Löw a levá-lo para a seleção, após consecutivas boas temporadas apresentando um futebol de muita força e anotando vários gols na Bundesliga (liga alemã). Ele desbancou, de última hora, outro atacante, o também brasileiro Kevin Kuranyi, que sempre esteve cotado para disputar uma Copa do Mundo pela Alemanha, mas não atingiu o feito.

Amistoso: Alemanha 3 x 0 Hungria. Atacante brasileiro naturalizado alemão Cacau foi um dos destaques da partida marcando o último gol de sua seleção

O caso mais curioso é de Benny Fielhaber, meio-campo dos Estados Unidos. Nascido no Rio de Janeiro, ele sequer jogou no Brasil. Foi embora muito cedo para os EUA, onde se formou jogador profissional. Em 2006, chegou a ser convocado pela seleção da Áustria, mas rejeitou o convite para realizar o sonho de atuar na Copa defendendo o Soccer Team. Apesar disso, o carioca ainda mantém raízes no Brasil. Tem familiares no país e diz ser torcedor do Botafogo.

“Pezinho brasileiro”

Nos últimos dias, outro brasileiro presente na Copa do Mundo estampou as páginas de esporte dos principais jornais do mundo. O zagueiro da seleção japonesa Marcus Túlio Tanaka, que vive desde os 15 anos no Japão, praticamente afastou um dos melhores atacantes do mundo, o marfinense Didier Drogba, da competição. No amistoso Japão 0 x 2 Costa do Marfim, que de amistoso não teve nada, Tanaka protagonizou um lance violento ao acertar um pontapé imprudente em Drogba, que sofreu uma fratura no braço e foi operado logo após o jogo, podendo ficar de fora do Mundial. Ruim para a competição, bom para a seleção brasileira – os africanos são adversários do Brasil na fase de grupos. Seria uma “mãozinha” (ou “pezinho”) de Tanaka a seus compatriotas?

Polêmica

A questão dos jogadores “mistos”, aqueles naturalizados, sempre causou muita controvérsia. Por isso, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) já estuda, após o término da Copa 2010, prolongar o período mínimo de permanência de um jogador estrangeiro no país onde se deseja obter a nacionalidade. Hoje esse período é de cinco anos, podendo ser aumentado em breve. Tudo isso para evitar que a Copa do Mundo vire uma espécie de Copa do Brasil, como acontece hoje no Futsal. Na última edição da Copa do Mundo da modalidade, disputada em 2008, por exemplo, a seleção italiana era composta por 14 jogadores. Todos nascidos no Brasil.

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