A DOENÇA DOS FORTES

por Lucas Couto


É, no mínimo, instigante observar como as patologias mentais estão se desenvolvendo a medida que o tempo passa e entre as diversas culturas. Tais doenças evidenciam o quão sensíveis somos às mudanças sócio-culturais. A submissão aos padrões de beleza têm sido um dos fatores responsáveis pelo aumento da incidência dos Transtornos Dismórficos Corporais (associados à Anorexia e Bulimia), e/ou Musculares (Vigorexia).

Também conhecida como Síndrome de Adônis, a Vigorexia é caracterizada pela preocupação excessiva em se tornar forte. Um transtorno em que as pessoas realizam práticas esportivas de forma contínua com uma valorização praticamente fanática. Exigem constantemente do corpo sem se importar com eventuais conseqüências ou contra-indicações, mesmo medicamente orientadas, e por mais resultados que consigam sempre se enxergam fracas e pequenas.

Dentre os portadores de Vigorexia estão homens e mulheres que buscam incessantemente uma figura/esteriótipo perfeito (o utópico imposto pelas revistas de beleza, modelos publicitários, moda, cinema, tv, entre outros). Geralmente, são pessoas portadoras de uma personalidade introvertida onde a timidez e o retraimento social culminam na busca por um corpo perfeito de maneira a compensar os sentimentos de inferioridade. Em alguns casos, a obsessão com o próprio corpo assemelha-se ao mesmo fenômeno observado na anorexia nervosa.

Os mais afetados pela Síndrome de Adônis são homens na faixa dos 18 aos 35 anos e o número de casos na adolescência só vêm aumentando – período da puberdade e em que há a necessidade de auto-afirmação. A maior preocupação é o uso de esteróides anabolizantes no intuito de “melhores resultados”. O consumo destas sustâncias aumenta o risco de doenças cardiovasculares, lesões hepáticas, disfunções sexuais, diminuição do tamanho dos testículos e maior propensão ao câncer da próstata.

Além de problemas clínicos internos, a Vigorexia causa danos físicos e estéticos (anatômicos) como a desproporção displásica, também entre o corpo e a cabeça, problemas ósseos e articulares (devido ao peso excessivo), encurtamento de músculos e tendões. As consequências comportamentais assemelham-se ao estresse: insônia, falta de agilidade e apetite, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza, cansaço constante, dificuldade de concentração, diminuição da libido e baixo rendimento no desempenho sexual.

A Vigorexia é uma patologia que nasceu numa sociedade consumista e competitiva onde o culto à imagem adquiriu aspectos ditadores e religiosos. A patologia ainda não foi catalogada como doença específica pelos manuais de classificação, no entanto, assim que diagnosticada, deve-se procurar tratamento psicológico e acompanhamento médico no que diz respeito a alimentação e, se for o caso, desintoxicação por produtos anabólicos. Não existe a necessidade de a atividade física ser cortada, mas é preciso reduzir gradativamente o tempo e a intensidade dos exercícios.

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