Maconha também é saúde

Por Fernanda Souza

Desde segunda-feira (17), acontece em São Paulo, um encontro científico internacional para discutir o uso medicinal da maconha no Brasil, incluindo a criação de uma agência reguladora.

A fundação de um órgão desse tipo é uma exigência da Organização das Nações Unidas (ONU). Em países como os EUA, Canadá, Reino Unido e Holanda, a Cannabis já é usada como analgésico, estimulador do apetite ou para o controle de vômitos.

O organizador do evento, médico  Elisaldo Carlini,  diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e  membro do comitê de peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre álcool e drogas, considera que as substâncias presentes na planta são muito úteis e merecem estudo. Grande defensor das terapias com maconha, o médico diz que a maconha já foi considerada quase uma divindade na neurologia para tratar dores de origem nervosa.

Para Cabrini, a maconha passou de medicamento precioso a uma droga maldita. Mas, se a regulação acontecer no Brasil, onde a droga é proibida, um cuidado maior deve ser tomado. De acordo com o médico, terá que haver uma legislação que garanta o controle adequado, como existe na morfina. Ele também não é a favor da liberalização da maconha, mas é a favor da despenalização da droga.

No vídeo, uma reportagem do fantástico de dezembro de 2009 mostra o uso da maconha como medicamento em Israel, liberada pelo governo também em um hospital público. Os pacientes podem fumar inclusive dentro do hospital. No país, o uso recreativo da droga é proíbido, sendo liberada apenas para fins medicinais. O vídeo é um exemplo sobre o que está sendo discutido para ser feito no Brasil.

Exemplos de uso terapeutico da maconha


Atenuação de dores crônicas da esclerose múltipla

Diminuição de náuseas durante a quimioterapia

Aumento de apetite para tratamento de anorexia e Aids

Redução da pressão interna do olho no glaucoma

Contras:

Existem vários estudos que associam o uso da maconha a efeitos malignos. A maioria desses estudos são feitos com base no uso indiscriminado e recreativo da da droga.

Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), um estudo publicado em 2007, realizado por duas pesquisadoras, associava o uso da maconha como fator desencadeador da esquizofrenia, uma doença que atinge cerca de 1,1% da população.

Acredita-se que a esquizofrenia seja uma doença multifatorial, com uma predisposição genética, e que são necessários fatores ambientais para ela se manifestar. Um desses fatores está relacionado ao uso abusivo de algumas drogas psicotrópicas, incluindo a maconha.

O objetivo da pesquisa foi fazer um levantamento bibliográfico dos trabalhos que relacionam o uso abusivo da maconha e a manifestação da esquizofrenia.

De acordo com os resultados e com a análise da literatura, as pesquisadoras concluíram que existem evidências crescentes de que o uso de maconha pode desencadear o início da esquizofrenia, pelo menos em indivíduos predispostos.

O artigo completo pode ser acessado aqui.

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