A saúde ficou devendo, literalmente

Por Fernanda Souza

Os problemas de saúde pública da gestão de Barbosa Neto estiveram mais do que presentes em seu primeiro ano de mandato. Alguns que se acumularam das gestões anteriores e outros que surgiram no meio do caminho e tomaram rumos inesperados.

Podemos dividir em níveis. O básico foi o caos que já é comum quando se fala em SUS na cidade: postos de saúde e pronto-socorros lotados, falta de equipamentos, materiais, reformas e verbas e população revoltada com o sistema. O médio foram os problemas que ninguém previa, como o aparecimento da gripe A e a necessidade de readaptar um sistema inteiro na tentativa de atender melhor a população. E o mais complicado foram os problemas com as dívidas com os hospitais do município e as greves dos médicos, ambas situações que resultaram em hospitais com portas fechadas – com direito a tapumes de madeira, correntes e cadeados – e discussões dos hospitais com a secretaria de saúde e a prefeitura. Para completar, houve também a saída inesperada do secretário de saúde, Agajan Der Bedrossian, que aconteceu  em um dos momentos de ápice de toda essa situação.

Entrada do Pronto Socorro da Santa Casa lacrada com tapumes de madeira em novembro de 2009. Crédito da imagem: Jornal de Londrina.

Tudo começou em uma sexta-feira 13, no mês de novembro de 2009, um dia sugestivo para o início de uma crise. Os médicos plantonistas cumpriram a promessa de paralisar o atendimento aos pacientes do SUS nos pronto-socorros da Santa Casa, Hospital Evangélico e Hospital Infantil. A paralisação durou seis dias. O motivo foi a suspensão do pagamento de incentivos por plantão à distância, que a prefeitura considerou ilegal. Ainda na gestão Nedson, o valor em acordo para os médicos plantonistas era de R$160,00 por plantão à distância.

No dia 29 de dezembro, os profissionais do Evangélico voltaram a interromper os atendimentos, retomando-os no dia seguinte após um contrato emergencial. O contrato se encerraria no final de março de 2010, mas foi estendido até ontem (30 de abril), com um valor de R$ 361 mil.

Agora o caso parece iniciar seu desfecho. Um novo acordo foi realizado na última quinta-feira (29) com a prefeitura, diante de uma nova promessa de paralisação dos profissionais. A Santa Casa deve receber mensalmente R$160 mil e o Evangélico R$100 mil, mesmos valores que eram mantidos até 2008.

Para a prefeitura, o novo contrato deve ter duração de um ano, enquanto os médicos pretendem discutir o valor a cada três meses, já que ainda o consideram insuficiente.

Fora isso, a acumulação das dívidas com os hospitais também tem sido motivo de dor de cabeça para o prefeito. Após uma avaliação sobre os valores, a prefeitura anunciou quanto deve a cada um dos hospitais: R$ 2,09 para o Evangélico, que afirma uma dívida de R$3.108.199,18; R$ 98,32 para a Santa Casa, que afirma que a prefeitura deve R$ 12.605.140,32;  e R$ 358.450,00 para o HU, que diz que deve receber mais de R$ 7 milhões do município.

As dívidas correspondem a procedimentos de alta complexidade realizados entre os anos de 2003 e 2009. Os valores se referem a contas contratualizadas, mas os hospitais afirmam estar atendendo muito além dos contratos.

Um dos problemas é que Barbosa Neto mudou sua postura com relação à dívida com o HU por exemplo. Em 4 de fevereiro o prefeito chegou a reconhecê-la, inclusive publicamente, afirmando que até outubro de 2009, o valor chegava a R$ 8 milhões, e depois, afirmou que era o valor já citado, que não chega aos R$ 400 mil. O hospital garante ter o documento em que membros da administração de Barbosa Neto reconhecem a dívida.

Enfim, o prefeito enfrentou e ainda deve enfrentar muitos problemas com a saúde de Londrina. Fazer o que está ao seu alcance talvez não seja suficiente.

A crise instaurada não está resolvida e os hospitais e postos de saúde continuam enfrentando dificuldades. Apesar de alguns investimentos do governo do Estado no município, ainda são necessárias muitas reformas e melhorias na atenção básica de saúde de Londrina. Como foi citado em nosso primeiro post sobre a gestão Barbosa Neto, neste segundo ano de mandato, o prefeito faz projeções para a área da saúde. Londrina realmente espera que elas funcionem, e que entrem em ação o quanto antes.

Anúncios
Explore posts in the same categories: Saúde

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: