A vitória que ninguém comemorou

Time de basquete de Londrina vence o Vila Velha, do Espírito Santo, por 81 x 73, mas vantagem de oito pontos é insuficiente para manter vivas as esperanças de classificação

O técnico Ênio Vecchi (à esquerda) ao lado do armador Thiago Aleo (à direita), destaque da partida

O técnico Ênio Vecchi (à esquerda) ao lado do armador Thiago Aleo (à direita), destaque da partida

Por Leonardo Felix

O Campos do Conde/Londrina/Sercomtel (não necessariamente nessa ordem) conquistou agora a pouco, no ginásio do Sest/Senat, em Londrina, a mais ululante de suas sete vitórias no Novo Basquete Brasil (NBB). Em uma partida de “vida ou morte” contra o Cetaf/Garoto/Vilha Velha (idem ao parêntese anterior), a equipe do técnico Ênio Vecchi precisava vencer o adversário por uma diferença mínima de 10 pontos, para manter vivas as esperanças de classificação à próxima fase do principal torneio do basquetebol nacional.

Tal vantagem devia ser construída, pois, restando duas rodadas ao fim da primeira fase, mesmo que vencesse esses dois jogos, o Campos do Conde apenas empataria na tabela com o adversário, visto que até então possuía seis vitórias contra oito do Vila Velha. Assim, o critério de desempate seria o confronto direto, sendo que o time do Espírito Santo derrotou o Londrina no primeiro turno por uma superioridade de nove tentos.

Dessa forma, o plantel dos filhos de Londres partiu para cima e se manteve sempre à frente no placar. Porém, devido à alternância de grandes momentos com erros crassos, o Campos do Conde não conseguiu administrar vantagens confortáveis e deixou o grupo capixaba se reavivar na partida em momentos delicados. No fim, vitória pelo atro placar de 81 a 73, com diferença de apenas oito pontos, que representou o adeus ao sonho da classificação à segunda fase.

O destaque da equipe londrinense foi o armador Thiago Aleo, que organizou ótimas jogadas, mas também demonstrou a irregularidade que praticamente se impregnou ao restante da equipe por todo o campeonato. Em dado momento, Aleo foi responsável por dois lances medonhos, que promoveram uma queda na vantagem de 14 para seis pontos.

A desclassificação do NBB acendeu a revolta de treinador, jogadores e torcida. Enquanto Ênio Vecchi reclamava peremptoriamente aos delegados da partida, sobre uma suposta complacência dos juízes para com atos antidesportivos cometidos pela comissão técnica do Vila Velha, alguns torcedores mais exaltados derrubavam placas de patrocínio e ameaçavam o trio de arbitragem.

O clima elegíaco de fim de jogo simboliza a conturbada temporada pela qual passou o basquete profissional londrinense, que retornava este ano ao NBB (antigo campeonato nacional). Com jogadores cheios de garra e vontade, mas ainda inexperientes, entraves administrativos (falta de recursos, de estrutura adequada, gestão ruim e atraso no pagamento de salários) e esportivos (a interdição do ginásio Moringão, a “casa” do time), a equipe do Campos do Conde conquistou grandes e pontuais triunfos, como a vitória contra o Flamengo, e derrotas vexatórias.

As lições ficarão para a próxima estação. Não há como competir em alto nível sem o mínimo de preparo. Se o NBB está distante tecnicamente dos melhores torneios de basquete do mundo, também não é uma mera patuscada entre peladeiros de fim de semana. Portanto, exige-se o mínimo de estrutura e organização para que, na próxima edição, o Londrina encante sua apaixonada (até demais) torcida. Parabéns aos bravos atletas e ao técnico Ênio Vecchi que, visivelmente, deram tudo e um pouco mais pelo time. No fim das contas, foram os únicos heróis de uma história sem glórias e sem vencedores.

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3 Comentários em “A vitória que ninguém comemorou”

  1. Renan Says:

    Agora você também está produzindo textos pro Collor, é?

    Que pantomimice!
    hehehehehe

  2. Andrey Shevchuk Says:

    Onde foi o jogo?!


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