Blues pé-vermelho

Por Luiza Calegari

O grito primitivo dos (ex) escravos negros, dolorido e desesperado, arrancado das suas origens. A melancólica constatação do vazio em que a sociedade branca civilizada se havia afundado. É da complicada relação entre estes fatores sociais, temperada pela relação de dominação dos brancos sobre os negros, em especial nos EUA da década de 1930, que nasce o blues, como forma de expressão da energia visceral dos negros, que há muito era explorada, maltratada e subjugada. Brancos, em uma tentativa apaixonada de retornar às raízes de sua humanidade, de possuir e tomar para si aquela violência, dar vazão à raiva surda pela situação em que a falência do desenvolvimentismo americano os havia jogado, se apoderaram do grito negro, construindo um intrincado estilo musical de sentimento em estado puro.

Dando um salto nas épocas históricas e provando que boa música é atemporal, ou mais, que transcende qualquer noção convencionada de tempo, hoje o “Que que há” vem divagar sobre um excelente exemplar do blues em Londrina: o trio Bemol, que se apresenta logo à noite no bar Valentino. Os músicos são jovens, o que chega a ser atípico para o blues, mas a qualidade do som produzido é inegável. Fazem, sim, covers, dos clássicos, e divulgam por toda a imprensa a intenção de soar como o amaldiçoado Robert Johnson, o consagrado B.B. King e o inspirado Stevie Ray Vaughan, só pra citar alguns exemplos. Mas a banda leva aos shows também as composições próprias, que têm muita energia e uma pegada impressionante, versando sobre a tríade mulheres, bebida e boemia.

(Abrindo um parênteses pra falar em primeira pessoa: descobri o trabalho dos caras por sugestão do Paulão Rock’n’roll. Em uma entrevista, perguntei pra ele quais as bandas da “cena” atual ele recomendava. A resposta foram dois representantes do melhor do rock, que se apresentam juntos hoje à noite no Valeco: Modafoca, banda que atravessa várias vertentes do rock com muito feeling, e a Bemol, que então chamava Sete de Copas, e era um power trio formado por uma ‘molecada’ boa pra cacete. As duas bandas, inclusive, têm um membro ‘repetido’, o guitarrista Vitor Struck).

Uma amostra do som dos caras, mandando um cover do King:


Serviço:
Projeto “Banda Nova” Funcart

Show com quatro bandas hoje à noite
Bemol, Modafoca, Riffzero5 e Brotherhood
Local: Bar Valentino
Rua Prefeito Faria Lima, 486
Couvert: R$ 7

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One Comment em “Blues pé-vermelho”


  1. Ainda nas próprias palavras do Paulão… Modafoca faz rock pelo rock. O que tá difícil de se ver no cenário musical. Não só em Londrina, como no país inteiro. Dá até uma saudades da época em que rockeiro tinha atitude de rockeiro…

    Ass: Soraia Barros.


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